WEC 51

Mais uma vez a WEC deu-nos uma noite de lutas fantástica, relembrando os mais distraídos que não é só na UFC que se assiste a bons combates – aliás, aos poucos começo a ter mais vontade de ver estes lutadores das categorias mais leves do que alguns grandes nomes (e pesos) da UFC. Se ainda não viram vou tentar convencer-vos: José Aldo, Miguel Torres, Donald Cerrone, Mike Brown, Jamie Varner, etc, etc. Mais não preciso de dizer.

As opiniões em seguida expressas são exclusivamente pessoais e não representam de todo a opinião da Escola Coimbra MMA.

Agora os spoilers..

A noite… aliás, a parte televisionada da noite começou com a luta entre Leonard Garcia (na altura 14-5) e Mark Hominick (18-8). A luta acabou por ser exactamente aquilo que se esperava, 3 rounds de luta em pé, com Garcia no seu habitual estilo solto e pouco técnico e Hominick com uma guarda eficaz e um boxe preciso. Estando o Garcia a treinar com o Greg Jackson, famoso pela sua visão táctica, não entendo porque não tentou levar a luta para o chão, principalmente após o 1º round onde ficou claro que a não ser que lhe saísse a sorte grande – numa daquelas overhands que cedo evidenciaram a falta de cardio – nunca teria vantagem em pé.

  • Resultado: Mark Hominick por Split decision (embora pessoalmente não compreenda como alguém pode dar 2 rounds ao Garcia, mas é melhor não entrar por aí).

Nem a propósito, a segunda luta juntou os dois últimos adversários de Leonard Garcia: Chan Sung Jung, mais conhecido por Korean Zombie (10-2) e George Roop (10-6). Cedo ficou claro que a técnica de kick-boxing do americano era mais apurada que a de Jung, principalmente no que toca a defesa, o que se tornou num problema para o koreano quando o alcance de Roop (com uns incríveis 1.85m e 66kg) se começou a notar. Durante o primeiro round o americano controlou a luta utilizando o seu longo jab, vencendo com uma ligeira vantagem. No segundo round os problemas que já se tinham avistado (guarda baixa e falta de mobilidade) deram lugar a um espectacular KO de Roop.

  • Resultado: George Roop por KO no 2º round.

Em seguida o esperado regresso de Miguel Torres (37-3) – que tinha perdido as duas últimas lutas por KO e finalização, pondo assim termo a uma sequência de 17 vitórias – frente a Charlie Valencia (12-5), um lutador experiente mas teoricamente bastante inferior. Torres apareceu com um estilo algo diferente do habitual, nomeadamente na sua postura e guarda em pé, controlou o round inicial sem grande efusão – provavelmente fruto de algum nervosismo. No round seguinte Miguel Torres voltou bastante mais solto em pé, conseguindo numa combinação de murros e pontapés levar o adversário para o tapete, onde foi notória a sua enorme superioridade técnica. Fechou um triângulo de corpo nas costas de Charlie e daí até ao mata-leão foi apenas uma questão de tempo.

  • Resultado: Miguel Torres por Finalização (mata-leão) no 2º round.

Para queimar algum tempo morto a organização passou um combate gravado dos preliminares, entre o chinês Zhang Tie Quan e Pablo Garza. Honestamente preferia que tivessem passado o combate do Mike Brown, que por alguma razão obscura também fez parte dos preliminares – e, aproveito, terminou com TKO no 1º round. Mas já estou a divagar. Voltando ao que interessa, não gostei nada desta luta. Ambos os lutadores estavam a estrear-se na WEC, e acho que isso foi bastante evidente. O seu nível técnico deixou bastante a desejar (esperemos que por causa dos nervos), ao ponto de Quan vencer no chão com uma guilhotina que, a mim, me pareceu mal encaixada. Se virem com atenção metade do pescoço do Garza já está de fora na altura em que bate. Acho que se tivesse tido um pouco de calma e esperasse um ou dois segundos, tinha saído daquela posição. Just my 2 cents.

  • Resultado: Zhang Quan por Finalização (guilhotina) no 1º round.

No co-main-event tinhamos a segunda luta entre Jamie Varner (16-3) e Donald Cerrone (11-3). Esta desforra ficara ‘prometida’ logo após o seu primeiro encontro, que terminou de forma controversa a favor de Varner após um joelho ilegal de Cerrone no 5º round. Durante os meses que antecederam este evento ambos os lutadores trataram de aumentar o bad-blood que existia entre si, e logo nos primeiros segundos da luta se percebeu que isto não era apenas hype. Um início absolutamente explosivo provou que eles efectivamente não gostam um do outro, o que contribuiu para uma luta absolutamente espectacular – por vezes em detrimento de alguma técnica ou mesmo táctica – o que para mim funciona quase como um prazer-proibido. Cerrone esteve quase sempre mais forte, colocando por duas ou três vezes Varner em problemas, primeiro com um joelho e mais tarde com crosses de esquerda. Para além da já esperada superioridade nas trocas em pé, Cerrone mostrou também evoluções no seu wrestling, conseguindo por várias vezes levar a luta para o chão – importa relembrar que na primeira luta havia sido totalmente controlado pelo wrestling de Varner.

  • Resultado: Donald Cerrone por Unanimous decision.

Para finalizar a noite faltava o antecipadíssimo combate para o título de featherweight que opunha o campeão José Aldo (17-1), que até então tinha autenticamente destruído todos os adversários que defrentou, ao arménio Many Gamburyan. Para quem não conhece o brasileiro e o seu currículo deixo um pequeno vídeo que certamente ajudará a perceber a atenção que vem sido dada a este lutador. Mais uma vez, José Aldo tratou de não defraudar as expectativas dos presentes, mantendo a sua invencibilidade na WEC de forma brutal e concludente. Tendo controlado o primeiro round para – segundo as suas próprias palavras – medir os timings do adversário (e juntou dois violentos leg kicks para garantir o 10-9), entrou para o segundo decidido a terminar a luta. Juntou ao preciosismo técnico, que já havia mostrado na primeira ronda, as habituais velocidade e explosão e com uma sequência 1-2 seguida de um uppercut cirurgicamente colocado enviou o adversário para o tapete, onde terminou a luta com 7 ou 8 murros que deixaram Gamburyan esticado no chão.

  • Resultado: José Aldo por KO.

— Pedro Freitas

    2 thoughts on “WEC 51

    • carissimo “PELF” é sempre um prazer ler os teus excelentes e autenticos “coments”. Obrigado pelo generoso contributo que acrescenta valor ao nosso “querido” site. Espero continuar a contar com as tuas “escrituras”

      veloso

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